Nossas escolhas dependem dos nossos atos: capítulo 6

Oi amados do blog! Estou iniciando uma nova série aqui no blog. É uma história dividida em várias partes, chamada NOSSAS ESCOLHAS DEPENDEM DOS NOSSOS ATOS. Espero que gostem, é de minha autoria e com uma pitada de ajuda da minha irmã. Aqui vai o 6º capítulo.

Capítulo 6

Meus olhos estavam encharcados... Porque Felipe estava fazendo isso comigo? Porquê ele me escondia a verdade? Será que era tão ruim assim?

— Me solta por favor. Quero ir pra casa!
— Deixa eu te explicar!  Ele insistia.
— Não vou te escutar!
— Vou te contar a verdade, mas, antes tem que acreditar em mim. — Eu já estava prestes a chorar. Não conseguia controlar as lágrimas.
— Não chore Clara, eu te peço!
As pessoas passavam por nós e me olhavam como se eu fosse uma louca. Algumas cochichavam algo como "menina boba", "chorona". Enxuguei minhas lágrimas com as mãos, até que Felipe me ofereceu um lencinho azul:

— Vamos para outro lugar. Aqui todos estão reparando em nós.
— Está bem. É culpa minha, eu sou muito escandalosa.
— Não é você. São as pessoas que são metidas e fofoqueiras. Não quero que sujem seu nome. Vamos para uma lanchonete.
— Ok.  Tentava ao máximo falar pouco com ele. Ainda estava magoada. Queria muito que aquela rede de mentiras acabasse.

Fomos a lanchonete do Seu Garcia, que era famosa por ter o melhor sorvete de baunilha da cidade. Nos sentamos e ficamos olhando o menu. Estava envergonhada. Nunca havia tomado sorvete com ninguém, muito menos um garoto...

— Pode pedir, Clara, eu pago.
— Por que está fazendo isso?
— Fazendo o quê?
— Evitando a verdade. 
— Eu contarei Clara, mas, antes quero me desculpar por tê-la feito chorar.

Seu Garcia trouxe um copo imenso de sorvete de baunilha com uma cereja em cima e pela primeira vez, sentir uma coisa estranha no estômago. Felipe olhava para mim, mas, não com cara de tristeza, mas de quem estava prestes a rir.


— O quê foi?
— Você está suja de sorvete. Está muito engraçada;
— Há, há, há.  Debochei. Mas, era bem legal vê-lo sorrir.
— Vai me contar agora?
— Vou. Está pronta?
— Hum hum. — Concordei com a cabeça. Queria começar com as perguntas básicas "De onde era" "Onde estudou" etc. porém, ele começou a narrar sua própria história.

Felipe olhava para o copo de sorvete de baunilha, suspirou e falou:

— Vim do interior da cidade. Meu pai era um homem que jamais assumiu responsabilidade de seus atos. Apenas pagava pensão, e minha mãe já doente, tinha que trabalhar como empregada doméstica. O dinheiro não dava para muita coisa, mas, ela me amava muito, e sempre abria mão de suas coisas, para comprar algo para mim. Comecei a trabalhar em um mercadinho para pagar as contas. Nisso, acabei atrasando meus estudos, e fiquei reprovado. Meu pai cortou a pensão, porque eu já era de maior, então eu trabalhava mais para ter dinheiro. Estudava a noite e ficava extremamente cansado. Tudo piorou quando descobrir que a minha mãe estava com uma doença gravíssima. Minha mãe tinha leucemia... 

Felipe fechou os olhos. Dava para perceber que ele tivera uma vida muito difícil. Era duro ver ele segurar as lágrimas. Pensei em parar por ali, mas ele continuou.

— Viemos para cá, para a cidade, onde sua irmã, a minha tia, nos hospedou em sua casa. As crises eram constantes, ela chorava por causa das dores e vomitava muito por conta da quimioterapia. Comecei a trabalhar em uma oficina para comprar os remédios dela. Meu pai nunca me ligou. E eu constantemente me perguntava: " Onde está Deus? Por que ele não a cura?". Minha tia, que é evangélica, percebia minha agonia e descrença, e quando minha mãe já estava fraca, ela nos levou a uma igreja, e pela primeira vez desde o tratamento, minha mãe sorriu. Ela quis saber mais da Palavra e aceitou Jesus poucos dias depois. Quando ela ficou mais fraca, ficava no hospital com uma Bíblia. Minha tia ficava com ela uns dias, eu ficava outros. Minha tia me matriculou no meio do ano, pois ela queria que eu fosse um adolescente normal. Até que minha mãe descansou em paz... Nunca deixei de ir a igreja. Todos os dias oro a Deus, por ter salvo a minha mãe antes dela morrer. A Bíblia me guia sempre. Falto os cultos porque ainda preciso trabalhar. Minha tia não pode se esforçar muito. Agora cuido da minha tia. Ela é como se fosse minha segunda mãe.

— E o seu pai? — Questionei.
— Eu nem sei se é vivo, e nem quero saber. — Falou com rancor.
— Mas, e o reformatório e as prisões, e a menina que você engravidou?
— O quê? Do que você está falando?
— Bom, é isso que as pessoas cometam de você.
 Ha, ha, ha. — Ele riu bem alto.  As pessoas tem uma imaginação fértil. Sou pai e nem sabia! Ha ha ha. Clara é a primeira vez que eu falo, ou tomo sorvete com uma menina.
— É.. pois é... Eu também...  Fiquei muito sem graça em acreditar em um monte de mentiras.
Tive apenas um amigo, Pedro. Ele fazia coisas erradas, tentei avisá-lo, mas, foi preso várias vezes. Não sei o que aconteceu com ele depois que fui embora...

Já estava anoitecendo, e eu precisava ir para casa, minha cabeça latejava de dor e vergonha, por tê-lo acusado de tantas coisas, sendo que a sua vida fora tão triste... Felipe pediu a conta, pagou os dois sorvetes, e me perguntou:
— Pronta para ir para casa? Te acompanho até lá.
— Obrigada.

Quando saímos da lanchonete, Felipe escutou uma voz que o chamava e uma figura familiar saiu das sombras das árvores, o fez mudar a expressão. Parecia que tinha visto um fantasma:

— Ei, Felipe, lembra de mim?


Quem será que chamou Felipe,e porquê ele ficou assustado? 
Ai, ai, ai... Não perca os próximos capítulos!


PRÓXIMO CAPÍTULO


Comentários

  1. que história, meu Deus, emoção pura.
    eu tbm achava q o Felipe tinha uma vida errada
    por isso jamais devemos julgar os outros...

    ResponderExcluir
  2. Capítulo 7! Please!!!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

❀¸¸.*♥*.¸¸.*☆ ❀
Não vai embora sem deixar seu comentário.
Sua opinião é muito importante para mim!♥
❀ ¸¸.*♥*.¸¸.*☆❀

Postagens mais visitadas