sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Nossas escolhas dependem dos nossos atos: capítulo 13


Capítulo 13

♥Continuação do capítulo 11 (o 12 é apenas uma versão do Felipe)

A chuva começa a desabar... Vou entrar na igreja e terminar o ensaio. Todos estão mais quietos depois da bronca de Felipe.

O ensaio termina. Algumas meninas do coral, vem de mansinho, pedir desculpas pelo mau comportamento. Eu as perdoo e desligo o aparelho de som. A chuva começa a parar. Mila pergunta se quer que ela e Priscila me acompanhe até em casa. Eu digo que não, que estou bem. Abraço as duas. Que estranho. O abraço que Felipe me deu, deixou uma sensação tão diferente...

Felipe...

A chuva começa a parar. Não está tão forte. Fecho as portas da igreja e vou embora. Não consigo parar de pensar no abraço que Felipe me deu... Era tão confortante.. aconchegante... Eu quase me declaro para ele.

Não acredito no que eu quase ia fazer! Meu Deus! Se não fosse aquele abraço, talvez agora nossa amizade estivesse perdida... Eu sei que o Felipe não sente o mesmo que eu. Ele é tão frio, tão longe, tão sério, tão maduro. O que ele veria em uma menina boba como eu? Sou sem graça, desengonçada, idiota! Porque tive que me apaixonar por ele? Eu sei que ele não me ama! Essa não eu vou chorar de novo. Pare de chorar Clara. Você não é mais criança! Lembre-se que seu aniversário de 16 anos está perto... Tenho que ser madura. Tenho que parar de ser tão infantil!

Passo em frente à oficina. Essa não! O sem noção do Mike vai querer vim com gracinhas para meu lado! (Ah claro não disse as características do Mike: cabelo enrolado castanho, olhos castanhos claro, alto, magro, um pouco mais forte que o Felipe. Acho que deve ter entre 17 ou 18 anos)

— Ei, menina, não fala mais com os amigos?  Perguntou risonho.
— Pare Mike. Hoje eu não to boa! E quem disse que eu sou sua amiga?  Falei bem irritada
— Calma, se veio ver o Felipe, ele não trabalha hoje.
— Porque se importa com isso? Eu não vim ver o Felipe!  Falei chateada
Ah não? Pois saiba que ele faltou o serviço, só para ir para o ensaio da sua igreja.
— Ele fez isso?  Perguntei espantada
— Fez! Sabia que ele corre o risco de perder o emprego?
— Até parece que se importa com ele. Naquele dia você foi o maior grosso comigo!
— Ei eu sou gente. Desculpe por aquele dia, é que eu não sei tratar bem uma garota bonita.
— Pode ir parando com essas cantadas.
— É brincadeira menina. Eu só queria ver a reação do Felipe.
— Eu e ele somos só amigos...  Falei um pouco baixo demais
— Ah tá... Bom tenho que voltar ao trabalho. Tchau.  Dizia ele enquanto ajeitava alguma coisa no carro.

Fiquei surpresa com o Mike. Ele não era o cara grosso e idiota que se mostrara no dia anterior. Então, todo aquele teatro foi para despertar ciúmes no Felipe? Eu estava mesmo surpresa...
Continuei meu caminho pensativa... Esse era o estado em que eu me encontrava constantemente... Pensativa... Meu celular toca me fazendo despertar do transe. Era Júlia!

— Clara, ainda está na rua?  Perguntou ansiosa
— Sim, mas, já estou indo para casa.
— Não, eu quero que você me faça um mega favor!
 — Fale logo. Acho que vai chover novamente!
— Compre alface, tomate, pepino, couve-flor, para a salada do almoço. Acabei de fazer o cabelo e não posso sair na rua, senão a chuva vai acabar com a minha chapinha!
— Tá, tá. Eu tenho uns R$20,00 na minha carteira. Você tá me devendo viu?!
— Quando chegar em casa eu te pago! Agora por favor, corre logo e compra o que eu te pedir!!  E desliga na minha cara. Essa Júlia não tem jeito!

Entro no supermercado da esquina, e compro tudo o que ela me pediu. Aproveito e compro uns doces para mim... Sou uma formiguinha, rsrsrs. Deu R$13,50. Ufa! Pago direitinho e saio do supermercado.

Essa não! Está começando a chover de novo...  Saio correndo que nem uma louca, e algo vergonhoso acontece: EU CAÍ DE JOELHOS NO CHÃO!!! Ai meu joelho, acho que ralei ele. Tá doendo. Não consigo me levantar... De repente, ouço uma voz:

— Tudo bem com você?  Olho para cima e meu rosto cora de vez... Era... Felipe!
— Não. Eu cai e ralei meu joelho.
— Vem eu te ajudo.  Ele me dá a mão e me puxa em um só movimento, e recolhe a sacola de legumes que havia caído longe.
— Está começando a chover...  Ele fala. Não consigo olha para ele. Estou com tanta vergonha. Me sinto tão boba... Repetir várias vezes que iria parar de ser criança, parar de ser infantil... Não chore. Clara. Engula essas lágrimas.

Felipe faz um gesto cavalheiro: ele me cobre com sua jaqueta vermelha. Acho que vou desmaiar... Percebo que ele está um pouco mais forte. Os músculos na camiseta preta o denunciam.
— Está chovendo. Melhor se proteger senão você pode pegar um resfriado. Eh... Seu joelho está sangrando.
— Ai, nossa. Caramba.  Coloco as mãos no rosto. Isso foi o ápice da minha vergonha
— Clara, você quer ir para a minha casa? Lá eu tenho curativos.
— Sua casa? - Pergunto um pouco confusa. Há algumas horas atrás, ele disse que não me levaria.
— É.. para tratar desse ferimento. Não é muito longe daqui.
— Ok. Eu quero ir sim.  Falo super animada.

Andamos algumas quadras. Era um prédio de apartamentos. Enorme pelo visto. Ainda não acredito que estou vestindo a jaqueta do Felipe... Queria poder me ver no espelho. A jaqueta com o perfume dele... Calma coração. Não me deixe na mão. Chegamos. Felipe conversa gentilmente com o porteiro, que parece ser um senhor de idade bem bondoso. Ele também fala comigo.

— Clara, este é o senhor José. Um grande amigo meu.
— Olá!  Eu digo
— Olá, Clara. É namorada do Felipe? - Nós coramos
— Não somos apenas amigos!  Respondemos juntos, o que é bem estranho.
— Tudo bem, ai ai esses jovens.  Ele sorri.

Felipe e eu continuamos andando para o apartamento:
— Dá para acreditar? Ele pensa que somos namorados. Nada ver.  Felipe fala de um jeito sarcástico.
— Eh... somos só amigos. Nada a ver...  A maneira que ele falou me deixou tão triste.
— Tem certeza que consegue subi as escadas?
— Claro, não foi tão grave assim. É só um arranhão!

Subimos as escadas, e paramos na frente do apartamento 451.
— Tia Vanusa! Sou eu Felipe!  Falava enquanto batia na porta.
— Sim, já estou indo.  Gritou uma voz lá dentro.  Felipe, já voltou? Ora, mais quem é essa linda moça?
— Essa é a Clara, tia. Minha amiga de escola.  Felipe fazia as apresentações, e eu ficava cada vez mais vermelha.
— Ora, mais entre vamos. Sente aqui no sofá. O que foi isso no joelho?  Perguntou preocupada.
— Eu caí na rua e o Felipe me ajudou.
— Acho que eu tenho uma caixa de primeiros socorros por aqui. Acho que está no meu quarto. Volto já, já!
— Não liga não. Ela tem esse jeito "mãezona" Falou o Felipe.
— Tudo bem, já estou acostumada. Ela lembra muito a minha mãe.  Sorri
— Eh... — Suspirou cabisbaixo. Eu sei o quanto a mãe dele ainda fazia falta.
— Felipe, eu não posso demorar muito. Daqui a pouco a histérica da minha irmã me liga, exigindo os legumes para a salada. Que a propósito, estão bem murchos.  Falei enquanto erguia sacola.
— Tudo bem.  A tia do Felipe aparece.
— Ai gente, os curativos acabaram. To indo na farmácia comprar. Beijinhos.  Saiu apressadamente.
— Nossa, que pressa é essa?  Falei sorrindo.
— Ela deve tá pensando que você é minha namorada.
— E você? O que acha dela pensar isso?  Perguntei meio tímida.
— Acho que vi um pacote de curativo na gaveta do meu quarto. Vou buscar.

Ele mudou de assunto? Como ele pôde mudar de assunto? E porque eu ainda estava vestindo a jaqueta dele? Vou devolver para ele e ir embora. Eu sei que ele não sente o mesmo que eu. Fui até o quarto dele com a jaqueta na mão, e o vi revirando as gavetas:
— Achei. Eu disse que estava aqui. O que foi Clara? — Disse se virando para mim.
— Eu já vou. Está quase na hora do almoço... E aposto que a Júlia não fez a salada.
— Está aqui o curativo. Deixa eu colocar no seu joelho...
— Não! Mas, que.. audácia!  Falei enquanto puxava o curativo da mão dele.  Eu mesma coloco! Nenhum homem vai tocar em mim, até eu me casar!
Você confia muito em mim né?!  Perguntou em um tom de voz estranho.
— É lógico! Você não me faria nenhum mal.
— Como pode ter tanta certeza?  Continuou no mesmo tom de voz estranho
— Felipe, você é meu amigo. não é?

Felipe me abraçou contra a parede. Não foi igual ao abraço carinhoso de hoje cedo. Foi mais forte, cruel. Agarrou forte os meus pulsos, e não consegui me soltar. Foi tão repentino... Eu fiquei sem reação...  Eu gelei... Ele olhou profundamente em meus olhos, e eu não conseguia me desviar daqueles olhos verdes... Até que ele sussurrou essas palavras no meu ouvido:

— Você devia ter cuidado em quem confia.
— Felipe... Eu...
— O mundo é um lugar sujo. Nem todos são confiáveis!
— Felipe, o quê...   Estava sem reação... Estava me tremendo!
— Ainda acha que eu não faria mal a você?
— Sim! — Ele se afastou para me ver.
— Clara, você é muito bobinha. Acabei de te dar um susto, e você nem soube reagir. Está reprovada no meu teste. Não pode aceitar um convite de um estranho e ir para a casa dele!  Aquilo foi um teste? O quê?
— Você é meu amigo, não um estranho! E por acaso, perdeu a cabeça? Achei que fosse...que fosse...
— O quê? Abusar de você? — Ele falou sem nem um pingo de medo, enquanto eu ficava vermelha. Observei o quarto dele. Alguns prêmios na estante, livros na mesinha, uma cama arrumada. Um quarto comum. No cantinho, havia um embrulho.
— O que é aquilo?  Perguntei tentando mudar de assunto
— Nada não. É bobagem.  Olhou para o relógio de pulso
Vou te levar para casa. Minha tia demorou muito, e daqui a pouco os vizinhos vão pensar besteiras porque estamos aqui sozinhos.  Felipe era tão maduro e experiente. Será se ele já...havia... Não! Não é possível!

Felipe fez aquilo para me alertar... Devia parar de confiar tanto nas pessoas. Mas, em quem? Eu não tinha amigos tarados. Ele era meu único amigo homem. A tia dele chega da farmácia, e nós já estávamos de saída. Ele explica para a tia que já estava ficando tarde. Ela entende, me abraça e pede para eu voltar de novo para a gente conversar melhor. Eu concordo. Peguei a sacola com os legumes.

Saímos do prédio e nos despedimos do porteiro José.

Durante o caminho, fiquei pensando na cena do quarto. "Será se ele faria alguma coisa comigo? Será se ele seria capaz? Porque ele fez isso?" Ele continuou calado, com as mãos nos bolsos da calça. Apesar do tempo está nublado e o céu cinza-escuro, não estava tão tarde, mas, eu tinha quase certeza que já havia passado da hora do almoço. Olhei para meu celular e vi 5 chamadas perdidas da Júlia. Ela vai ficar uma fera comigo:

— Chegamos na sua casa.
— Olha já é a terceira vez que me deixa em casa. Isso vai acabar virando um hábito. He, he. -Ri sem graça.
— Pois é. Está entregue.
— Felipe, eu quero perguntar uma coisa... Aquilo que você... Sabe, me assustou, e eu pensei tanta besteira de você.. Eu... Pensei que abusaria de mim..e...  Estava me enrolando toda.
— Jamais abusaria de você! Eu sou um homem Clara, mas, acima de tudo sou um servo de Deus e, menosprezo qualquer ato de covardia contra mulheres. Aquilo foi para te testar. Só isso.
— Então, por favor nunca mais faça esse tipo de teste. Eu fiquei com muito medo.  Ele chegou bem perto.
— A última coisa do mundo que eu quero, é que você tenha medo de mim.
— Felipe...
— Se algum dia eu te machucar... Não vou me perdoar nunca... Clara, eu...
— Sim?
— Clara... Eu.. Te.. A--

Nisso, aparece minha irmã histérica:
— Clara Maria da Silva você está frita!!!!

♥Continua

PRÓXIMO CAPÍTULO





8 comentários:

  1. Saaannn não me mata do coração. Na hora que o capitulo ia dando uma revira-volta vc termina?? Ai, posta o capítulo 14 logo menina!♥
    Felipe bora parar de ser frio moço, kkkk! Beijão♥

    ResponderExcluir
  2. Amei San♥ Que capítulo hein?! Mas, que teste foi esse que o Felipe fez??? Ele pirou??? Pensei tanta bobagem... Caramba. Depois de uma atitude tão legal, ele quer colocar tudo a perder??? Mas, ao mesmo tempo, fiquei empolgada. Ui! Ele a imprensando contra a parede... nossa, até me arrepiei aqui!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é... Quase ele põe tudo a perder. Mas, aquele "teste" serviu para Clara não confiar tanto nos outros. Ainda bem que foi com ele e se fosse com outro menino?
      Também fiquei empolgada quando minha irmã sugeriu isso, kkkk♥

      Excluir
  3. muito bom, não demorar postar o outro capitulo. Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada flor, não vou demorar para postar. Prometo♥

      Excluir
  4. Aaaah não !
    San dê um puxão de orelha beeem forte na irmã de Clara!
    Meu Deus, eu acabei com a minha unha na parte da parede. Nossa!
    Aaai nossa que legal!
    Eu já sei o que é a caixinha ♬♪
    Ai ai! Não demora para postar o outro não hein ?!
    Beijos ...
    agarotaperfeita2.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Kelly sua fofa, Pode deixar que eu vou dar um puxão de orelha na Júlia.
      Ownt, também fiquei muito empolgada quando minha irmã sugeriu isso.
      Eita, que virão muitas emoções pela frente... Aguarde
      Beijokas♥

      Excluir

❀¸¸.*♥*.¸¸.*☆ ❀
Não vai embora sem deixar seu comentário.
Sua opinião é muito importante para mim!♥
❀ ¸¸.*♥*.¸¸.*☆❀