sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Nossas escolhas dependem dos nossos atos: Capítulo 12

Olá amados e amadas, mais um capítulo para vocês. ).
E para comemorar 1 ano dessa história, escrevi um capítulo na narração do Felipe. Esse será como o capítulo 11, mas, na visão do Felipe. Pessoal, de coração, espero que gostem 


Capítulo 12 (Versão do Felipe)


Sábado, 4:35h.

Prometi a Clara que ia para o ensaio da igreja, apesar de não está com nenhuma vontade de ir... Minha tia, Vanusa, aparece na porta do meu quarto, me pede para comprar leite e pão, para o café-da-manhã, mesmo relutando em ficar na cama, eu vou, afinal, estou com fome. Levanto da cama, e de repente me vem um pensamento...


— ''Preciso me apressar. Clara já deve estar na porta da igreja. E pela cara desse tempo, logo, logo vai chover.''  Tia Vanusa aparece de novo.
— Felipe, o que você vai dizer para o seu pai?
— Agora não tia. Não quero falar sobre isso.
— Mas, filho, ele é seu pai. Você precisa perdoá-lo.
— Só Deus sabe.  Falei em um tom amargo
— Espero que saiba o que está fazendo.  Falava enquanto se retirava. Ela estava se referindo ao que aconteceu ontem a noite.
Não entendo o que minha tia tinha na cabeça. Perdoar meu pai, era de longe, a última coisa que faria na terra. Só porque tinha o mesmo sangue nas veias. Nem o sobrenome dele eu carregava. Jamais ia perdoar um cara, que nunca quis me ver quando nasci, abandonou minha mãe na pior época, e quando ela ficou com leucemia, não quis saber de sua gravidade e ignorava meus telefonemas. Ele não quis saber de mim, e o único ato que ele realizou, foi suspender a pensão. A única renda que minha mãe tinha. Mas, parece que meu tio Alfredo não estava satisfeito porque meu pai era tão distante de mim, e resolvera parar com essa distância... 

No dia anterior, tio Alfredo telefonou para meu pai que, Deus sabe como, me ligou pelo orelhão da esquina, que era perto do meu apartamento. Eram 18:30h quando a vizinha veio correndo falar que era uma ligação para mim. Um tal de Alberto queria falar comigo.

No começo achei que era algum professor da minha antiga escola, querendo me repassar os documentos que deixei lá, mas, tive uma desagradável surpresa: era meu pai. Fui caminhando em passos leves, desci as escadas, abrir o portão e finalmente tirei o fone do gancho:

Alô?  Minha voz ficou trêmula de repente. Estranho.
— Felipe? É você meu filho?  Dizia uma voz alegre do outro lado da linha. Pude escutar umas risadas de  criança também.
 Me chamo Felipe, mas, não sei se sou seu filho. 
— Oh Felipe, sou eu, teu pai, Alberto. Sei que a gente nunca se viu, mais eu sou teu pai sim.
— Diga logo o que você quer, estou ocupado. — Fui direto ao ponto.
— Quero muito ver você. Tem quantos anos agora? Quinze? Dezesseis?
— Tenho dezoito anos.
— Nossa, já é um homem! Já tem carteira de motorista?
— Não! Olha, pode me ligar mais tarde, preciso sair.
— Tá bom, então me passa o número do seu celular.
— Não tenho celular senhor.
— Senhor não! Me chame de pai. Não tem celular? Mais todo jovem tem celular!
Tenho que ir. Passar bem.  Desliguei aliviado e transtornado.

Cheguei no apartamento. Tranquei a porta. Minha tia estava vendo um programa evangélico, e lógico, veio me perguntar, quem queria falar comigo no telefone:

— Quem era Felipe? — Perguntou preocupada.
— Era meu pai.  Falei com rancor.
— E o que ele queria?
— Dizendo ele, que queria muito me ver. Agora é fácil ele querer restaurar todos esses anos perdidos por culpa dele.
— Felipe, talvez seja melhor você perdoar. Perdoar é esquecer.
— Tia, eu posso ter o sangue dele correndo nas minhas veias, mais o que garante que vou gostar dele como pai? Ele nem sabe quantos anos eu tenho!!!
— Felipe, é assim mesmo, com o tempo você vai se apegar a ele e..
— Apegar?? Desculpe tia, mas onde ele estava quando minha mãe estava morrendo em uma cama de hospital? Onde ele estava quando fiquei reprovado e tive que trabalhar para sustentar a casa? Onde ele estava quando os meninos da rua me batiam? Onde ele está agora??
— Felipe por favor não se exalte! - implorava ela
— Me perdoe, eu...  Minha tia então me abraça.
— Eu te perdoo meu sobrinho...

***

Agora lembrando de tudo isso a caminho da padaria, pude perceber que meu pai é um cara de pau. Fui para a padaria bem rápido comprar leite e pão. Minha tia, estava  me esperando, coloquei o pão na mesa, o leite na geladeira. Olhei para o relógio na parede que marcar 5:45h

— Tenho que ir tia, prometi a uma pessoa que iria para o ensaio da igreja.
— Uma pessoa? É uma garota?  Perguntou minha tia ansiosa.  Já está na hora de arrumar uma namorada né Felipe?! Você é jovem, ou quer passar a vida trancado do mundo?
 Tia, menos né?! Fala como se eu tivesse 80 anos. E sim: é uma garota.
— Ah, eu sabia! Quem é a garota "misteriosa"? Ela é daqui do prédio? Ela é bonita? Vai trazer ela aqui? Eu quero conhecer viu?  Me fazia uma enxurrada de perguntas..
— Vou pensar. Preciso ir. Tchau.  Dei um beijo na bochecha dela. Tomei um gole de café, mordisquei o pão e sair correndo.

Era engraçado como minha tia não se irritava como eu. Ela podia perceber que eu odiava meu pai por tantos anos de ausência e tentava, assim como o tio Alfredo, nos aproximar, mas isso só resultavam em bate bocas, que eram logo, encerrados com outro assunto.

Agora, ela queria ver a tal garota "misteriosa". Na verdade, estava com vergonha de levar Clara para ver minha tia, e ela deduzir que éramos namorados, se bem que eu não ia achar de todo ruim, mas, não sei como Clara reagiria.

Lembro do primeiro dia que pisei naquela sala de aula e me apresentei. Só disse meu nome, enquanto a professora apontava meu lugar. Observei os olhares de cada um. Olhares de julgamento, desprezo, preconceito. Apenas um era receptivo, brilhante, meigo... Apenas uma pessoa me olhava diferente naquela sala e essa pessoa era Clara. Tentei me afastar, inventando desculpas, mas, o bendito trabalho de espanhol nos uniu. Quando a desprezei na biblioteca, me sentir tão mau, tão idiota, tratar mau a única pessoa que falou comigo naquela escola? Precisava concertar meu erro...  E quando ela chorou por ouvir coisas ruins sobre mim... E quando finalmente falei toda a verdade para ela e sobre meu passado triste e sofrido...

Afinal... Ela foi a única pessoa que eu abrira meu coração...

Bom, não todo! 

Ainda queria ficar longe dela, mas, depois que vi Mike dando em cima dela na cara dura, fiquei com vontade de quebrar os dentes dele. Ele só era mais forte pouca coisa. O que ele tava pensando? Que a Clara era alguma safada? Ele era um idiota! E a Clara não merece namorar com idiotas!

Fiquei surpreso, quando o pastor, antes de viajar, pediu para mim, levar a filha de volta para casa, depois do culto, em segurança. Ele confiava muito em mim, apesar de não saber nada sobre meu passado... Apenas Clara sabia.

Ultimamente tenho pensado muito nela, sei que só faz algumas semanas que entrei naquela escola, mas, eu penso demais nela. Fico lembrando do seu sorriso, das suas trapalhadas, e até do seu penteado que me recorda muito a Sailor Moon. Eu gosto desse penteado... Gosto do jeito dela...Nenhuma garota é como ela. Nem mesmo Shirley, essa não faz o meu tipo. Quando eu a ajudei com o dever de matemática na biblioteca, percebi suas segundas intenções e dei logo um basta. Não quero criar expectativas para ninguém!

Cheguei na igreja, mais as portas estão fechadas. Será se ela vai vim hoje? Melhor eu aguardar. Se ela não vier, volto para casa. Olho para meu relógio de pulso, 6:00h. Ok, tudo bem! Ela virá....

Já se passou 1 hora... Devia ter tomado meu café direito...

Vejo alguém se aproximar.. É Clara. Meu coração fica alegra só em vê-la. Sensação estranha. Isso tem acontecido desde a primeira vez em que a vi, mais prefiro não me expôr. De alguma maneira, aprendi a controlar meus sentimentos. Desde a morte da minha mãe, me tornei um garoto "frio". O sofrimento dela deve ter me afetado... Clara estava chegando... Estava com um vestido lilás, e carregava uma pasta rosa na mão. Veio depressa, quase correndo...  Devo falar bom dia? Estou meio chateado, ela não veio na hora que disse que viria. De qualquer jeito, darei bom dia:

— Bom dia, Clara.  Falei
— Bom dia, Felipe, está aqui há muito tempo? 
— Cheguei as 6:00h. 
 Falei um pouco amargurado
— E ficou esse tempão aqui fora? Em pé? Me esperando? Porque não me ligou?
— Eu não tenho seu número. 
 Como assim ela achou que eu tinha um celular?
— Eu sou uma tonta né?! Como sou idiota. Eu esqueci de repassar o numero para você? Sou muito esquecida!
— De qualquer jeito, eu não tenho celular mesmo. Não sou rico para ter um! 
 Fiquei irritado com essa pergunta. Meu pai perguntou a mesma coisa. Não devo descontar minha raiva na Clara. Ela não merece. Notei que ela ficou ressentida. Devo controlar minhas palavras daqui pra frente.
 — Vamos entrar? Parece que vai chover. — Sugeriu ela. Olhei para cima, e o céu estava cinza, apesar de ainda ser dia. Logo, uma tempestade ia desabar...

Clara pegou uma vassoura e começou a limpar a igreja. Queria que ela esquecesse minha grosseria  minutos atrás, e resolvi ajudá-la a varrer a igreja também, depois limpei as cadeiras. Os jovens foram chegando, deviam ter entre 13 a 15 anos, e eu era o mais velho dali. E as amigas de Clara apareceram em seguida.

Quando Clara colocou a música para tocar, de repente, os jovens pareciam que estavam possuídos. Eles não ficavam quietos! Falavam, mexiam no celular, meninas se maquiando. alguns estavam até dormindo. Estava sentado na última cadeira, mas, dava para ver o quanto Clara não tinha o controle da situação. Observei umas meninas, falando mau da Priscila e pensei: "Não deixarei que façam ela se sentir mal, assim como me sentir, na primeira vez que entrei nessa igreja."

Pela primeira vez, me levantei e falei em tom alto, sem tremer a voz, fiz três perguntas básicas da Bíblia, Quantos livros tem a Bíblia no Velho Testamento e no Novo Testamento?, Quem foram os três primeiro reis de Israel?, Quem escreveu o Salmo 90? mas, não obtive respostas. Eles ficaram cabisbaixos, envergonhados, por estarem na Casa de Deus, e não saberem nada sobre a Palavra de Deus. Mila, Priscila e Clara me olhavam com espanto. Dei uma bronca neles, como nunca havia dado em alguém, estava cheio daquilo. Minha paciência havia estourado desde o dia anterior..
Devia ir embora. Clara devia estar me odiando por fazer aquela cena... Vou me retirar..

Assim, que saio da igreja, Clara me chama. Não pude ignorar aquela doce voz. Havia algo naquela menina que me fazia ficar calmo... Ela veio pedir desculpas pelo comportamento dos jovens

— Felipe, espere! — Falou suplicante.
— O que foi? Voltaram a fazer baderna? — Perguntei já voltando para dar bronca neles
— Não, eu vim agradecer. Obrigada. Essa situação me deixou constrangida. Sou líder de jovens e nem sei lidar com eles, me desculpe pela má impressão Felipe, por favor.  Ela estava quase chorando. Percebi que ela estava nervosa. Porque era tão importante assim, me dá uma boa impressão?
— A culpa não é sua. Não precisa levar a culpa por eles.  Dizia enquanto passava a mão na cabeça dela.  Estou tendo um dia difícil.  Meu dia estava uma droga. Tudo culpa do meu pai! 
— Eu posso ajudar.. podemos conversar, por favor desabafe comigo, não me der gelo como das outras vezes, eu não quero que você fique de mau comigo, eu gosto de falar com você estamos caminhando bem, Felipe eu te...  De repente a interrompi com um abraço... Não sei o que ela ia dizer para mim... O abraço falou mais alto.

— Só isso me basta Clara. Você é uma boa amiga.  Falei estas palavras de consolo para ela se sentir melhor.

 Não sei porque fiz aquilo, foi de repente. Pensei no dia anterior, quando minha tia me abraçou quando eu estava nervoso, eu me sentir melhor depois do abraço. Queria fazê-la se sentir bem. Não queria vê-la chorando novamente. Não faria ela chorar novamente... Não sabia se ela ia gostar daquela reação inesperada.  Ela estava muda. Eu devo te-la assustado. É claro. Nenhum menino jamais a abraçou assim, tão impulsivamente. Se alguém da igreja, me ver a abraçando na rua, vai fazer fofocas com o nome dela. Podem falar mau de mim,  dela não! Melhor eu me afastar... Dei um leve empurrão nela, que me olhava com uma cara de espanto. Deus, não. Eu a assustei!

— Melhor não. Alguém pode ver e falar mau de você. Preciso ir, tenho que ajudar minha tia em casa. 
— Eu posso ir junto? Visitar sua tia?  Ela perguntou com um brilho infantil nos olhos.
— Outro dia eu levo você, Clara. Tchau.  Falava enquanto me virava, deixando ela sozinha....

Novamente, Clara invadia minha mente. Tudo o que eu pensava, acabava em Clara. Eu gostava muito dela, e poderia dar até a vida para protegê-la. Não quero que nada destrua aquele sorriso encantador e aquele olhar caloroso. Ela tem um bom coração. É uma boa amiga, mas... Eu não a vejo apenas como amiga... É uma pena que ela me veja apenas como amigo. Deixarei esse sentimento em segredo. Quando a hora certa chegar, eu direi... A voz dela vem a minha mente: "Quer vim para a minha festa de 16 anos? Vai ser daqui a uma semana " Verdade...Ela me convidou para a sua festa de aniversário. Precisava comprar um presente lindo, para que toda vez que ela olhasse, se lembrasse de mim...

Gotas de chuva começam a cair... Coloco o capuz da jaqueta, sobre a minha cabeça e ando mais rápido. 

Passei em uma vitrine e vi um ursinho de pelúcia. Vou entrar nessa loja para fugir da chuva... Pego o ursinho... Perfeito. A Clara vai gostar.

Clara, se você soubesse que eu... TE AMO!



E aí pessoal gostaram desse loooonggoo capítulo?? Créditos totais a minha maninha! Não deixem de comentar, isso vai deixar ela super feliz. Beijokas 


Não saia sem comentar...


22 comentários:

  1. Amei esse capítulo. Nossa o Felipe é um ótimo narrador! Super detalhista! Amei! Sua irmã é nota 10!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada por comentar. Créditos a minha irmã :)

      Excluir
  2. Gente que capítulo incrível!! E que revelação viu?! Fiquei de queixo caído, não esperava essa atitude dele. Necessito de outro capítulo urgente!!! #1AnoDeNossaEscolhas

    ResponderExcluir
  3. San, de todos os capítulos esse me empolgou muito.
    Adorei saber o que o Felipe pensa, sente, faz...
    Mande um beijão pra sua irmã e diz para ela fazer
    logo outro capítulo urgente que eu to passado mal de
    ansiedades...kkkk.
    Bjs♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O Felipe tem suas razões.... Minha irmã tá te mandando um beijo tbm♥

      Excluir
  4. Felipe agora entendo tua frieza. Percebir que ele guarda um grande rancor do pai. Perdoa Felipe, é melhor para ti...
    Vale a pena ler esse capítulo longo. E ele ta lindo!! ♡ ♡ ♡
    #Capitulo13
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Perdoar é sempre o melhor caminho...
      Beijokas♥

      Excluir
  5. San, sua irmã está de parabéns. Ela tem um grande dom. Amei!
    Quantos anos ela tem fofa? Diz que mandei um beijão para ela!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Mônica e ela agradece esse carinho todo. Ela tem 15 anos linda.
      Beijokas♥

      Excluir
  6. Lindo, mas quando eles vão se declarar? Estou ansiosa!

    ResponderExcluir
  7. Aff cara, ela ia falar.. :´(
    Tadinho.. vida dura !
    San lindissimo hein ?! Parabéns, você tem um grande dom.
    Beijos..
    Sucesso,

    agarotaperfeita2.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Né?! Felipe e seu nervosismo.
      Créditos a minha irmã. A história é dela, apenas posto aqui. :)
      Beijokas♥

      Excluir
    2. Parabéns irmã de San.
      Você tem um dom lindo!
      P.S: Quantos anos ela tem ?

      Excluir
    3. Oi Kelly, ela agradeceu o seu comentário. Ela tem 15 aninhos :)♥

      Excluir
  8. Que capítulo mais lindo San. Sua irmã tem um grande potencial viu?!

    ResponderExcluir
  9. Sabe aquela leitora curiosa que lê os últimos capitulos para depois ler os primeiros? Exatamente o que fiz! rs Sandre esse talento para escrever é de família mesmo hein, que lindo! Amei a estória e todo o contexto dela, muito embasada mesmo!

    Beijinhos no coração <3

    http://princessddeus.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ♥ownt (=*-*=) obrigada fofa e minha irmã agradece seu comentário :) te adoro♥
      Beijokas!!

      Excluir
  10. OMG OMG OMG OMG OMG OMG OMG! E mais OMG infinito

    ResponderExcluir
  11. OMG OMG OMG OMG OMG OMG OMG! E mais OMG infinito

    ResponderExcluir

❀¸¸.*♥*.¸¸.*☆ ❀
Não vai embora sem deixar seu comentário.
Sua opinião é muito importante para mim!♥
❀ ¸¸.*♥*.¸¸.*☆❀