quarta-feira, 11 de março de 2015

Nossas escolhas dependem dos nossos atos: Capítulo 14


♥ Continuação do capítulo anterior...

— Clara você faz ideia de que horas são? Porque raios não atendeu seu celular??  Júlia estava furiosa, mas, de repente quando viu Felipe, ela disfarçou.
— Quer dizer... Fiquei preocupada com minha irmãzinha querida. Como vai Felipe? Tudo bem com você?
 — Tudo. – Ele disse meio desconfortável depois daquela cena vergonhosa que minha irmã fez.
— Acho que deixei uma panela no fogão, vou ver rapidinho. Mas não fiquem aqui fora. Entrem vai chover.– Júlia estava sendo muito hospitaleira.
— Acho que não devo...  Felipe estava consentindo.
— Por favor Felipe. -Implorei. — Você já me trouxe tantas vezes em casa e eu nunca te convidei para entrar... Por favor, é rápido.
— Er.. Está bem.- Ele concordou. Eba! Meu coração estava pulando de alegria! 
Felipe entra meio acanhado, repara nos móveis, abaixa a cabeça. Peço para ele sentar no sofá, e se sentir mais a vontade. Digo a ele que vou a cozinha.

Júlia estava mexendo com a colher na panela. Ela olha para mim e começa a sussurrar:
— Vocês estão namorando? 
— Não! Ele só veio me deixar em casa!
— Depois quero todos os detalhes.
— Tá bom, sua chata.

Vou até a sala. Talvez o Felipe queira tomar um copo d'agua ou uma xícara de café. O pego olhando e segurando um porta-retratos. Era uma foto antiga. Foi a primeira viagem que eu fiz. Devia ter uns seis anos, estava meio banguelinha. Me lembro como se fosse ontem. Viajamos para Campos do Jordão, pois meu pai ia pregar em uma igreja por lá. Lembro que fiquei resfriada, e passei a viagem toda espirrando e a Júlia tirando sarro comigo. Mas, nesse dia, no dia dessa foto, foi um dia feliz. Foi um dos poucos dias, em que meu pai ficou conosco. Aposto como ele queria ficar sempre com a família, mas, o dever como pastor era sempre maior. E eu tinha orgulho disso!



— Essa é você?  Perguntou Felipe apontando para uma menina sapeca, com casaco cor-de-rosa e banguela. 
— Sim, sou eu. Estava meio resfriada nesse dia, he he.  Ri meio sem graça.
— Era muito fofa.
— Obrigada... 
— Fale mais sobre sua família.
Bom, como já sabe meu pai é o pastor, e ele não recebe salário he he. Minha mãe é costureira e as vezes vende perfumes pela revista. A Júlia trabalha em uma loja de roupas.
— E você? Quais os seus sonhos?
— Bem, eu queria fazer faculdade de veterinária. Amo bichinhos, principalmente gatos e cachorros. Mas, porque você tá me perguntando tudo isso, Felipe? Eu falei meus segredos para você. Nada mais justo que você me falar os seus também não é?
— Justo. Muito justo! Você é tão otimista e alegre, Clara. Você confia tanto nas pessoas.
— Acho que todos nós temos um lado bom.
— Até o meu pai? O cara que abandonou a minha mãe e me abandonou?
— Eh...bem... eu acho que sim Felipe! Já tentou conversar com ele?
— Odeio ele, Clara! Odeio de todo o meu coração!  Falou em um tom de voz rancoroso.
— Felipe, como posso dizer, eu sei que não é da minha conta, mas, você devia perdoá-lo... Ele é seu pai!
— Você tem razão Clara.  Disse olhando para a fotografia.
— Tenho? 
— Tem! Não é da sua conta!  Mas, o que foi isso? Porque de repente ele me tratou tão mal? Que vontade imensa de enterrar minha cabeça em um buraco na terra, ou que pelo menos Júlia aparecesse e quebrasse aquele clima. Ele colocou o porta-retratos em cima da estante, e ficou de costas para mim. Passou a mão na cabeça, como se estivesse preocupado, chateado. Coloquei a mão no peito. Estava magoada. Porque ele não abre seu coração para mim? Porquê? 


Júlia aparece com uma bandeja com sanduíches e sucos de laranja.
— Uhuul. Lanchinho! Vamos comer para ficar fortinho! Acabei de fazer!
— Não precisa Dona Júlia. — Falou Felipe.
— Precisa sim! Você tá tão magrinho. E que história é essa de Dona Júlia? É só Júlia! Sou mais velha apenas três que você! Podem comer a vontade!
— Está bem. Obrigado!  Agradeceu Felipe.

Depois do lanche, continuamos calados na sala. Até que ele perguntou:
— O trabalho de espanhol é terça-feira, certo!?
— Não se preocupe. Já está feito. Eu escrevi sobre a música que você queria.
— Ah tá..

Em nenhum momento Felipe olhou para mim. Alguns minutos depois, ele olhou para o relógio de pulso. E sem olhar para mim disse:

— Clara, estou indo para casa. Obrigado pela hospitalidade! — Girou a maçaneta, abriu a porta. Me posicionei na frente dele, com os olhos olhando para o chão: 
— Felipe...
— O quê?
— Me desculpe por causa mal-estar em você...
— Tudo bem. Já passou.  Acho que ele não estava mais zangado.
— Felipe, o que você ia me contar, antes da minha irmã atrapalhar a gente?
— Tudo ao seu tempo Clara, tudo ao seu tempo...
Felipe se virou lentamente para mim, e com um sorriso no rosto, disse:
— Tchau.
“Tudo ao seu tempo...” O que ele quis dizer com isso? Eu estava morta de curiosidade para saber o que ele ia me falar... Como fui idiota com ele! Porque eu tive que tocar no assunto do passado?

Observo ele indo embora, e lentamente fecho a porta. Júlia estava atrás de mim:
— Detalhes, quero detalhes!
— Agora não, Júlia. To com dor de cabeça. Vou tomar um banho.
— Tá bem senhorita "não conto meus segredos para minha irmã mais velha"! - Segredos... Essa palavra foi bastante problemática hoje.
— Júlia, por favor...Menos tá!  Subo as escadas.

O mais engraçado, é que pela manhã o Felipe já estava meio estranho, zangado. Depois, no início da tarde, quando ele me ajudou quando cair na rua, ele foi super gentil. Depois agiu estranho no quarto, com aquele "teste". Outra vez, foi gentil, me trazendo em casa. Depois mostrou frieza quando mencionei para que ele perdoasse o pai. E novamente, sorriu para mim. É muito difícil acompanhar as mudanças de humor dele. 

Vou ao banheiro. Tomo um banho bem demorado. Queria que aquela água levasse pelo ralo abaixo, todas as minha preocupações. Queria que ela levasse embora o rancor e a frieza de Felipe. Mas, aquilo era apenas água... Nada mais.

Deito na cama. Olho meu celular. Abro o aplicativo do Facebook. Vejo a caixa de mensagens. Mila queria conversar comigo. Depois respondo... Não estou com cabeça para nada... Depois do corte que Felipe me deu, não resta mais dúvidas: Ele não me ama...

Lágrimas descem pelo meu rosto. Coloco o travesseiro no meu rosto. Quero abafar o meu choro...

Sua voz ecoa na minha mente "Não é da sua conta..."  — Ai meu Deus, como eu não queria estar apaixonada por ele!





♥Continua! Não perca os próximos capítulos!

PRÓXIMO CAPÍTULO




10 comentários:

  1. Ai eu vou dar umas tapas nesse Felipe! A Clara só quer te ajudar, mas por outro lado, eu entendo porque ele é assim tão frio!
    muito bom!
    bjs <3

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    1. kkkk, a atitude dele irrita, mas, a gente entende que ele sofreu muito no passado, então ele meio que se afasta das pessoas.
      Beijos♥

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  2. Gente, esse capítulo foi tenso! Acho que até o Felipe se sentiu mal depois disso!!
    Vou te marcar em uma tag viu San?!
    Beijos

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    1. Também acho que ele se sentiu mal. Pode marcar sim linda♥
      Beijos

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  3. Nossa, ele é muito estranho. É difícil viver na duvida, eu já passei por isso.

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    1. Com certeza, mas, Felipe tem suas razões.. Agora é só dar tempo ao tempo, como ele mesmo mencionou ^^

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  4. TadinhA
    Apesar de tudo o que ele já passou não é motivo pra tratar tão mal a garota né gente ?!
    Tenso.
    ( Só eu que estoou curiosa pra saber o que foi aquele teste ?)
    Beijos...

    agarotaperfeita2.blogspot.com

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    1. Tadinha mesmo. O Felipe tem que mudar seu jeito, senão, vai perder a Clara.
      Huum, aquele teste foi para saber se a Clara confia muito nas pessoas. E ela ficou reprovada. Ela é muito ingenua. ♥
      Beijos

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  5. Olha, temos uma escritora entre nós!!! show!

    Vinicius Castro

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    1. Ownt *-* obrigada! Não esqueça de acompanhar os outros capítulos ^^♥
      Abraços

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