Nossas escolhas dependem dos nossos atos: Capítulo 17


Capítulo 17
♥Continuação do capítulo anterior...

— Nelson? Ruivo? Quanto tempo! – Nelson era um menino mais ou menos do meu tamanho 1,66m, 16 anos, cabelos ruivos, olhos castanho-escuros. Estava vestindo uma camisa social branca com gravata vermelha, segurando uma Bíblia contra o peito. Estava parecendo um pastor. Mau o reconheci... Lembro da última vez que o vi, era bem gordinho.

Dou um abraço bem forte nele.
 Ruivo? Ninguém me chama assim só você “banguelinha”!
— Se não percebeu não sou mais banguela, querido.
— Já ia embora sem falar comigo? Isso é jeito de tratar um amigo de anos?
***
Você deve estar se perguntando quem é Nelson? Vou falar um pouco do Nelson. O pai do Nelson é pastor, e muito amigo do meu pai. Lembra da viajem que fiz quando tinha 6 anos para Campos do Jordão? Meu pai foi pregar na igreja, onde o pai do Nelson era pastor. Nelson era o irmão  menino que eu nunca tive. Brincávamos muito, ele me chamava de banguelinha, e como ele tinha os cabelos avermelhadas como fogo, o chamava de “Pica-Pau” e de “Ruivo”. Éramos amigões do peito. Até que a semana acabou e cada um precisou ir seguir seu caminho. Lembro-me que  o pai dele sempre dizia: “Esses dois nessa brincadeira vão acabar casando!”, se bem que sempre foi o sonho do pastor Jorge, ver seu filho casado com uma filha de pastor.

Um ano depois, quando ele tinha sete anos, se tornou meu vizinho e aí nossa amizade se tornou mais forte. Quando conheci Mila, deixei Nelson um pouco de lado, ela sempre demonstrou um certo carinho por ele. Passado cinco anos, ele e sua família foram embora para outra cidade e perdemos contato. Nisso, me tornei muito amiga de Mila, que ficou triste quando ele partiu...

Algumas meninas da nossa rua, achavam bonitinho, quando eu era criança, Nelson e eu andando juntos, e insistiam que éramos namorados. Eu não pensava assim. Eu via Nelson apenas como um irmão, um amigo. Nunca tive qualquer sentimento além de amizade por ele, igual como sinto por Felipe, que vai além de tudo que já sentir por alguém, não sei explicar. Nelson sempre será um amigo para mim. Nada mais
***
Voltando ao assunto...

— Larga de ser bobão! Eu nem sabia que você estava aqui na igreja. Como você chegou até aqui?
— Seu pai ligou para meu pai para pregar hoje aqui. Era o meu pai que estava no púlpito hoje.
— Era o pastor Jorge que estava pregando hoje? Seu pai? Nossa, eu não reconheci. Onde você estava sentado?
— Lá atrás. Vi quando você entrou. Queria chamar você, mas, nem reparou que eu estava aqui.
— Foi mau. Estava esperando uma amiga minha, que ficou com muita vontade de vim hoje para a igreja. Vai ficar quanto tempo aqui na cidade?
— Na verdade, só vim acompanhar meu pai. Mas, hoje mesmo volto para a minha cidade. Não fica tão longe. Acho que são seis horas de viagem. E amanhã tenho aula. Não posso perder aula de jeito nenhum.
— E a sua namorada? Onde ela está?
— Ainda não estou namorando... Escolhi esperar a minha princesa...  Mila chega perto de nós, e fica surpresa ao ver Nelson.
— Clara, a Pri quer falar com você. Nelson? É você? Ainda se lembra de mim né?!
Lógico que lembro, Mila. Tirou o aparelho dos dentes?
— E você emagreceu! Há há há. O tempo deu um upgrade na gente!
— O lado bom da adolescência... – Disse ele gargalhando
— Bom, vou deixar vocês dois conversando. Vou ver como está a Pri, ver se ela gostou do culto...
— Tá bom, amiga. – Disse Mila sorrindo.

Converso com a Priscila e ela ficou super animada e me diz que quer acompanhar mais vezes o culto, mas, a pessoa que eu realmente queria conversar, não estava encontrando ali. Onde está o Felipe? Priscila se despede de mim e aproveita a carona que os pais de Mila oferecem.

Júlia ainda estava conversando com as amigas dela do grupo de dança, dava tempo de procurar o Felipe. Nelson me surpreende:
— Me procurando?
— Na verdade, estou procurando o Felipe...
— Quem é ele? Seu namorado?  Pergunta meio decepcionado.
— Quem? O Felipe? – Fico corada – Não imagina. É só um amigo de escola. – Felipe se aproxima de nós dois.
— Clara, estava te procurando...
— Eu também Felipe. Ah sim. Deixa eu te apresentar uma pessoa. Esse aqui é meu amigo Nelson. Ele é o filho do pastor que deu a palavra de hoje.
— Oi, me chamo Felipe. – Ele aperta a mão do Nelson
— Prazer. Sou o Nelson. Bem acho que já vou indo. Meu pai e eu precisamos viajar ainda hoje. Foi muito bom te rever de novo Clara. Até breve. Tchau Felipe. Cuide bem dela, viu?! – Porque o Nelson tinha que falar justo isso “Cuide bem dela”. Ele não é meu namorado. Bom... não ainda!

— Ele parece ser uma cara legal.  Disse Felipe
— O Nelson é muito brincalhão e engraçado. Fazia quatro anos que eu não o via. Queria me dizer alguma coisa, Felipe?
— Bem... os jovens do coral vieram até mim, perdi desculpas por ontem, na hora do ensaio.
— Então, era isso. Achei que você havia ido embora...
— Esqueceu que prometi ao pastor que te deixaria em casa?
— Mas, a minha irmã veio hoje também, acho que não precisa fazer esse sacrifício todo...
— Tudo bem. Eu quero mesmo ir...
— Felipe... Tá. Vamos! Metade dos irmãos já foram embora. Deixa eu chamar a Júlia para a gente poder ir tá?
— Está bem.

Chamo a Júlia, que se despede das amigas. Ela pede para a irmã Gláucia trancar as portas e guardar a chave da igreja. Vamos os três seguindo o caminho para casa. A caminhada é silenciosa e tediosa. Júlia está com fones nos ouvidos. Felipe com as mãos nos bolsos, e eu ali querendo puxar assunto, até que chegamos em casa:

— Obrigada Felipe pela companhia. Bem, já vou entrar. Tchau.  Agradece Júlia e entra em casa.
— Isso já está virando hábito né?! Daqui a pouco vou ter que pagar um salário para você! Meu guarda-costas pessoal.
He he he. — Felipe ri alto. Nunca tinha visto ele ri daquele jeito. – Fica tranquila. Eu até gosto de fazer isso.
— Sério? Disso eu não sabia.
— Estou indo. Está tarde. Não posso demorar. Minha tia está bastante cansada por conta do trabalho de hoje
 — Tá, você precisa ir mesmo ir. Ela pode precisar de você. Vejo você amanhã na escola?
— Pode crer que sim. Tchau... – “Tchau Felipe. Sonhe comigo..” Pensei. Que vontade de dizer aquilo.

Júlia me olha estranho quando passo pela porta.
— Clara, você voltou a falar com o Felipe?
— Júlia, ele já me pediu perdão, tá?!
— Sim, eu sei só que por causa dele você passou UMA noite inteira chorando. Não lembra disso?
— Não, eu não lembro. Eu já esqueci. Perdoar é esquecer! Júlia não acabe com a minha paciência tá?
— Sinceramente, eu sei que você gosta dele e tudo mais, mas, Clara...Todo mundo diz que ele já foi preso e até engravidou uma menina...

Aquelas palavras de Júlia fizeram meu sangue ferver. Ela nem conhecia o Felipe para falar assim dele!

— Júlia, para de julgar ele!!! Parece a Tereza e a Marta falando assim. Vocês nem o conhecem, não sabem nada sobre o passado dele, então para de ir atrás do que os outros falam!
— Tá não precisa gritar. Se me contar eu vou entender....

Conto tudo. O passado sofrido, o trabalho precoce, a morte da sua mãe por conta da leucemia, o ódio que ele sentia do pai. Júlia ficou boquiaberta com cada palavra que eu dizia. De repente, sua consciência ficou pesada, por ter julgado ele por conta da fofoca de outras pessoas:

— Nossa, eu juro que não sabia que esse menino carregava tanto dor. Ele nem parece se importar com as fofocas maldosas que fazem sobre ele.
— Fofocas maldosas e mentirosas. Ele nunca foi preso, foi para um reformatório, ou engravidou uma menina. Tereza e Marta inventaram tudo isso.
— Agora entendo porque você quer ficar perto dele...
— Eu só...só quero que ele esqueça toda a dor que carrega...
— Algumas cicatrizes são para sempre, Clara...
— Mais outras se curam com o tempo... Estou indo dormir. Tenho aula amanhã. Boa noite.
— Clara espere... Me desculpe por ter falado aquelas besteiras sobre ele. Eu sei que você gosta muito dele. Acho bonito o que está fazendo. Ficando perto. Dando um ombro amigo. Queria tanto que ele correspondesse.
— Me promete uma coisa: não conta para o papai ainda. Não quero que ele saiba.
— Prometo. Vem aqui me dá um abraço sua boba.

Abraço a Júlia. Apesar de brigarmos muito, ela sabia ser uma boa amiga... Agora, estava pensando em um outro evento importante: o meu aniversário de 16 anos!

Amanhã seria outro longo dia...
.
♥Não perca os próximos capítulos...

Comentários

  1. <3
    Eu sempre quis ter uma irmã :3
    Acho fofo o companherismo dessas duas.
    E Clara arrasando corações hein ?!
    Beijos, San

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    1. Essas duas brigam e brigam mas no fim são boas amigas.
      Beijos fofa♥

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  2. Amei o capítulo muito fofo. Acho que o Nelson gosta dela...
    Cuidado Felipe!!!

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    Respostas
    1. Que bom que gostou do capítulo♥
      Também acho bom o Felipe ficar esperto.
      Beijos

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