quarta-feira, 8 de abril de 2015

Nossas escolhas dependem dos nossos atos: Capítulo 18



Capítulo 18

Aquele fim de semana se tornou o mais longo, porém o melhor que eu já tive. Agora era um novo dia, e os raios de sol entravam na janela do meu quarto. Finalmente, Felipe e eu estávamos nos dando bem. “Por favor, Senhor, que ele seja bonzinho para sempre.... ”Orei na minha mente.

Voltar para a escola era legal, conversar com as meninas, rever os professores. Só havia me esquecido de um pequeno detalhe sórdido... Teria que enfrentar a fera da Shirley. Ela queria, de uma vez por todas, amarrar Felipe em suas teias. Eu sei que Felipe me dissera que Shirley não era seu tipo de garota, mas, como Mila também falou para mim, ela não brincava em serviço e eu não podia vacilar. Não podia chamar atenção, para que ninguém percebesse que gosto do Felipe, e assim não dá mole, e também não podia perdê-lo para aquela mala. Nossa, que me missão difícil! Deus me ajude!

A primeira aula do dia é Sociologia. Eu gostava dessa matéria. A professora era superlegal e sempre reservava os dez minutos finais da sua aula, para que a gente pudesse conversar a vontade sem bagunça.

Noto que Felipe ainda não chegou. Será se ele virá hoje? Estou tão ansiosa. E também estou sentada sozinha! Mila ver a cadeira sem ninguém e senta perto de mim, a fim de me fazer companhia.

— Que foi amiga? Preocupada?
— Só o meu parceiro que não chegou.
— Então vou sentar aqui por enquanto. A minha parceira também não chegou.

E se o Felipe chegasse? A Mila teria que sair daquela cadeira.

Bate o sinal, e acaba a aula de Sociologia. Essa não. O Felipe não vem mais hoje. Até que ele aparece e a Priscila também. Como Mila estava sentada no lugar de Felipe, ele se senta na cadeira de Mila, perto da Pri:

Xi! Acho que estamos com os parceiros trocados hoje.
— É, também acho.  Ironizei

A aula a seguir era matemática, com o professor Rubens e adivinha? Prova surpresa em duplas. O conteúdo era Equações do 2° grau e Funções. Ou seja, todo o conteúdo que o professor passou até agora. Essa não! Me ferrei. A Mila e eu somos duas mulas quando se trata de matemática. Até a Shirley, que não é boba, fez dupla com Otávio, o menino mais inteligente da sala. Porque não pensei nisso antes? Ai, como eu queria que o Felipe estivesse perto de mim. Ele era um gênio quando se tratava de cálculos. O professor entrega a prova. Nós duas nos entreolhamos. Os números na prova parecem se mexer e andar sobre a folha, zombando de nós. Olho para trás. Priscila parece estar confiante. Felipe lhe explica as fórmulas matemáticas e ela obediente, escreve no papel. Com certeza, eles vão tirar um 10!

— Mila, você sabe como é uma equação de 2º grau?
— Ai, Clara, eu faltei essa aula. He he he.
— Sem gracinha, Mila. Isso vale nota!
— Sem estresse, Clara, a gente sai dessa.

Trinta minutos depois, a folha ainda está em branco. O professor Rubens anda pela sala, a fim de pegar alunos que estejam colando. Felipe e Priscila lhe entregam a prova. O professor olha e diz que eles podem sair da sala. Até que ele chama Felipe:

— Um momento. Qual o seu nome meu jovem?
— Felipe.
— Felipe! Você é um gênio. Parece que tem um concorrente Otávio. Meus parabéns meu jovem. Queira esperar lá fora o término da prova.

Felipe recebeu os parabéns do professor. O professor Rubens? Aquele cara nunca elogiava ninguém, exceto a diretora bajulando ela pra lá e pra cá, mas um aluno era a primeira vez que eu via isso!
Mila rabisca alguma coisa no papel. O horário da prova estava acabando e a gente não tinha feito nada! Shirley e Otávio entregam a prova e saem. Ela me olha com um olhar de desprezo. Olha para a minha prova toda garranchada e prende os risos. Aquela garota me dava nos nervos. Mila sugere o seguinte:

— Amiga, vamos entrar a prova né?! A gente não sabia que ia ter prova surpresa mesmo.
— Se eu tirar zero minha mãe vai me matar!
— Olha o lado bom. Pelo menos a gente não colou de ninguém!
Só Mila conseguia ver esse lado bom. Derrotada, entrego a prova. O professor nada diz. Mila e eu nos retiramos da sala.

Encontramos Priscila sentada no banco, com fones de ouvido, escutando música no celular. Mila chega perto:

— Oi Pri. – Parece que ela não ouviu.
— Oi Pri!!!  Mila fala mais alto, até que tira os fones dos ouvidos.
— Oh, desculpe Mila... o som estava alto. – Explica Priscila
— Eu quase fiquei sem voz aqui! – Essa Mila era tão dramática. – Porque chegou atrasada?
— Foi mau... O ônibus em que eu estava furou o pneu... no meio do caminho... e por coincidência, Felipe estava nele. Por isso chegamos juntos.
— Está desculpada, bobinha. Como foi na prova? – Pergunto.
— Muito boa! O Felipe é muito inteligente... Se eu tirar 10 é por causa dele. E vocês duas?
— Vou me mudar de escola. Com certeza já fiquei até reprovada! – Diz Mila
— Não exagera. O professor sempre passa trabalhos para recuperação de nota. Preciso da ajuda de vocês duas. Comprei uns convites de aniversário, e preciso distribuir. Estou com o convite de Felipe aqui. Tenho que entregar para ele. –Falei – Viu o Felipe, Priscila?
— Acho que ele... foi para a biblioteca.

A biblioteca. Ali era um lugar de tantas decepções. A primeira vez quando conversei com o Felipe e ele me esnobou na frente de um monte de gente. Quando o flagrei ensinando matemática a Shirley e tive um ataque de ciúmes.

Definitivamente, a biblioteca não era a minha praia.



Entro na biblioteca e vejo Felipe de costas, escolhendo livros na prateleira. Ai, como ele é lindo de costas! Concentração, Clara! Fico escondida, tentando tomar coragem pra falar com ele, mas, outra pessoa vai na minha frente: Shirley. Andando toda sedutora, Shirley se apoia na prateleira, de frente para Felipe, como se fosse o beijar. Tento me segurar pra não encher ela de sopapos e continuo escondida atrás da estante. Felipe se afasta dela. Ela começa a jogar o cabelo para trás, tentando seduzi-lo, os olhos acinzentados emanando malícia:

— Porque nunca vejo você com ninguém? Um cara tão gato como você devia ser o aluno mais popular dessa escola!
— Eu sempre estou perto dos meus amigos. Nunca viu?
— Só vejo você perto da ralé e da sonsa da Clara.
— Olha, Shirley, estou ocupado. Você venho até aqui para ofendê-la na minha frente?
— Não! Eu vim te convidar para minha festa de aniversário. Será no sábado, dia 15 de outubro!

Não posso acreditar! Aquela v*a*d*i*a fazia aniversário no mesmo dia que eu? E ela estava convidando o Felipe? Que oferecida! Precisava ouvir mais:

— Anda vem a minha festa! Vai ser uma balada com um DJ internacional. Só vai ter a galera descolada e meus pais liberaram bebida alcoólica pra todo mundo! Afinal não é todo dia que você faz 16 anos!
— Shirley, eu sou cristão. Eu não bebo álcool e nem participo de festas assim!
— Também vai ter refrigerante, já que você é crente né?! Affs! Ninguém é perfeito. Aqui! O meu convite. Não esquece gato. 15 de outubro! Tchau.

E pisca para ele. Ela sai da biblioteca rebolando com uma saia jeans que não tinha nem um palmo. Que ódio meu Deus daquela piriguete! Que ódio! Saio do meu esconderijo.

-Oi Felipe.
-Oi Clara. – Ele esconde o convite no bolso da calça. Se ele soubesse que eu ouvi a conversa toda. Estava feliz por ele não cair nos truques daquela oferecida.

— Prova difícil né?! — Ri meio sem graça
— Achei até fácil. Já tinha visto esse mesmo assunto na minha antiga escola.
— Você é muito inteligente. Mila e eu vamos levar bomba nessa matéria.
— É, mas fiquei reprovado duas vezes e isso consta no meu histórico escolar.
— Mas, foi por uma boa causa, né?! – De repente Felipe abaixa os olhos. Deve ter se lembrado de quando faltava aulas para cuidar da mãe no hospital. Lembrou do sofrimento dela com a doença... Ele põe o livro de volta na prateleira:

— Se quiser, eu posso te ensinar matemática. Não só para você, mas, para Mila também. Já fiz esse favor para Shirley, lembra?
— Me ensinar? Puxa! Felipe estou usando muito você ultimamente.
— É isso que os amigos fazem! Nos encontramos aqui na biblioteca, todos os dias, a partir de amanhã na hora do lanche, que tal?
— Boa ideia. Só não sei se a Mila vai sacrificar a hora do lanche para estudar.
— Eu a convenço.
— Que livro está procurando?
— São uns livros que a professora de Literatura pediu que eu lesse. Como entrei no meio do ano, ela quer que eu recupere conteúdo.
— Me deixa dar uma olhada nessa lista. Posso procurar com você?
— Seria ótimo. Obrigado.
— É isso que as amigas fazem! – Dou um sorriso para ele.

Procuramos os livros, ainda teríamos tempo. O sinal ainda não tocara e o professor ainda estava fazendo a prova. Eu não queria nem me lembrar dessa prova. Estava convicta de que levei um zero redondo. Os livros eram Amor de Perdição, Viagens na minha terra, Iracema, O primo Basílio, e Dom Casmurro.

Encontramos quatro dos cinco livros, faltava apenas um Amor de Perdição. Estava lá em cima da prateleira e precisava subir na escadinha para pegar. Subo na escadinha e agarro o livro. Quando desço os degraus, não percebo que meus cadarços do tênis estavam desamarrados e eles ficam agarrados na escadinha, causando minha queda. Dou um grito estridente e fecho os olhos:
— Clara, cuidado! – Escuto a voz de Felipe chamando meu nome.

Morri? Estou no céu? Espera! Eu tô viva! Mas, porque não cair no chão? Simples: Felipe me pegou em seus braços, antes que eu me estabacar-se no chão. Isso só faz meu coração acelerar mais e mais. Meu rosto cora. Ele me põe no chão. Eu não conseguia acreditar. Felipe me agarrou em seus braços. Eu estava nos braços do Felipe? Ele me salvou de sofrer um acidente.

 — Você está bem? Que susto você me deu!
A professora, responsável pela biblioteca vem ver que tanta gritaria era aquela.
— Mas, o que significa toda essa gritaria hein?! Isso aqui é uma biblioteca, e vocês estão atrapalhando a leitura dos outros alunos.
— Me desculpe professora!  Falei – Achei que tinha visto uma barata!
— Uma barata? Bem, amanhã eu ligo para o dedetizador. Não deveriam estar em suas salas?

Felipe aponta para meus tênis com os cadarços desamarrados. Era melhor eu amarrá-los de novo, senão eu poderia me meter em outro acidente. Saímos da biblioteca. Não conseguia acreditar no ato de Felipe. Me segurou em seus braços. Meu herói. Se ele soubesse como estava meu coração...

Entramos na sala e sentei ao lado de Mila e ele sentou ao lado de Priscila. Era só por hoje. Amanhã ele sentaria perto de mim... Mila nem pergunta nada, pois pela cor das minhas bochechas, ela sabia muito bem qual era a causa: Felipe. O dia passou rápido, aula depois de aula, conversa atrás de conversa.

Quando terminou as aulas, Shirley e suas seguidoras Becky e Fany me param e param a Mila na porta e me entregam um cartão roxo, com uma foto da Shirley em uma roupa provocante:
— O que é isso? – Pergunto
— É um convite da minha festa de aniversário!
— E porque está me convidando?
— Pra você ver como se faz uma festa de verdade. Há há há. –Sai gargalhando igual a uma bruxa.
— Amiga, aqui no cartão diz que a festa é no sábado, dia 15 de outubro. É no mesmo dia que a sua festa. As 19:00h.

Olho o cartão novamente. Não acredito que aquela piriguete ia fazer a festa dela no mesmo horário da minha!
— Mila, essa daí quer guerra e ela vai ter guerra!
Priscila chega até nós com o cartão roxo da Shirley:
— Vocês também receberam?
— Eu não vou! Olha o que eu faço com esse cartão brega!  Mila rasga o cartão  deixando ele em picadinhos.
— Também não vou... a amizade da Clara é importante para mim! – E Priscila joga o cartão na lixeira.
— Quer saber? Eu não ligo. Desde que minhas melhores amigas venham a minha festa! Vocês são as melhores amigas desse mundo todo! A Shirley jamais saberá o que é amizade! – Dou um abraço apertado nas duas.
— Ou o que é amor né?! Vou te contar, oh bichinha invejosa! – Provocava Mila
— Gente, eu me esqueci de dar meu convite para Felipe. Se eu correr ainda consigo encontrar com ele. Me esperam tá?!

Vou correndo na direção oposta. Encontro ele. Impossível não reconhecer aqueles cabelos negros espetados:
— Felipe!!! – grito sem fôlego – Espera!
— Clara? O que foi algum problema?
— Não, eu vim agradecer, por me salvar na biblioteca! Obrigada. Se não fosse você talvez teria me machucado seriamente. Obrigada mesmo!
— Eh... Não sei lidar com elogios! – Dar um sorriso torto
— Ah, e eu me esqueci de te dar isso. – Dou para ele um cartão rosa com uns desenhos de flores brancas. – É meu cartão de aniversário. Vai ser no sábado, 15 de outubro. Eu já te convidei antes, mas, com o convite fica mais oficial.
— Clara é muita gentileza da sua parte, mas...
— Mas...
— Não vou poder ir a sua festa. Desculpe-me.

O quê? Mas... O quê foi isso que acabei de ouvir???

♥ Continua...



PRÓXIMO CAPÍTULO

6 comentários:

  1. Ai gente que capítulo hein! Felipe salvou o dia♥
    To amando o novo jeito dele.
    Adorei o corte que ele deu na Shiley!
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que gostou Ann Lee.
      A Shirley é muito exibida. Ela tem que aprender
      que o mundo não gira ao redor dela.
      Beijos♥

      Excluir
  2. OI Sandreanny adorei eu indiquei Você em uma tag Passa lá no meu Blog http://diversidadescomnubia.blogspot.com.br/2015/04/tag-amoodeio.html#more

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Núbia, vou responder sim amada. Obrigada por me taguear!♥

      Excluir
  3. Eu acho que ele vai fazer uma surpresa e pedi-la em namoro lá na festa.
    Mas se ele não for...
    Beijos, San !
    Ansiosíssima pelo próximo capítulo !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Huummm... Será? Não perca os próximos capítulos. Haverão mais emoções!
      Beijos linda♥

      Excluir

❀¸¸.*♥*.¸¸.*☆ ❀
Não vai embora sem deixar seu comentário.
Sua opinião é muito importante para mim!♥
❀ ¸¸.*♥*.¸¸.*☆❀