segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Nossas escolhas dependem dos nossos atos: Capítulo 23 (Dupla Versão)

Oi, oi pessoal! Vocês devem está um pouco chateados porque os capítulos da WebSérie estão atrasados né?! Bom, primeiro vou pedir desculpas! Pessoal, estou sem computador (tenho uma sorte danada, para não dizer ao contrário) Então, tô dando o meu jeitinho para "tentar" postar... Para compensar, o capítulo de hoje será uma versão dupla. Quem vai narrar é tanto Felipe quanto Clara. Estão prontos? Não esqueça de comentar! > . <



Capítulo 23

*FELIPE* 
Domingo, 6:43h

Hoje será um dia que digamos, que eu não queria que tivesse chegado: meu pai vem me visitar hoje... E não estou nem um pouco alegre! Vou me arrastando até chegar no banheiro. Estou cansado, com muito sono. Cheguei tarde em casa, devido ao aniversário da Clara... Clara! Como ela estava linda naquele vestido. Se ela soubesse que eu...

Ligo a água do chuveiro. A água morna caindo pelo meu corpo me dá um pouco de ânimo.
Lembranças da minha mãe doente no leito do hospital, invadem minha mente, lentamente, como névoa. Era meados de fevereiro de 2010. A lembrança se torna tão real, a ponto de eu achar que ela está bem perto de mim:
''Vai ficar tudo bem filho. Olha pra mim. A mamãe vai para um lugar melhor..."
"Não fale isso como se fosse uma coisa boa! A senhora está morrendo e fala essas coisas com um sorriso no rosto!"

Mãe... Porquê me abandonou? Não sabe o vazio que deixou no meu coração... Lembro também, da vez em que, tomado de desespero, por ver minha mãe em estado avançado da doença, liguei para meu pai em um telefone público implorando por ajuda. Os remédios de minha mãe eram extremamente caros. Apenas salário do meu trabalho no mercadinho da esquina, era insuficiente. Quando ligava para ele, automaticamente alguém desligava o telefone do outro lado da linha. Porquê pai? Porquê você me rejeitou? Não sabe a raiva que tenho de ti! Abandonou minha mãe e a mim, no momento mais difícil das nossas vidas.

Dou um soco tão forte no azulejo da parede, que acabo machucando minha mão. Agora ela está sangrando! Droga!  Meu Deus me dê forças para aguentar olhar para a cara desse cínico! Estou orando de todo coração, para que Clara apareça logo. Quando ela está por perto, me sinto mais calmo, mais tranquilo...

Já são 7:19h. Saio do banheiro. Pelo visto, Clara não vem! A campainha da porta toca. Minha tia vai atender enquanto estou me vestindo no quarto. Escuto uma voz masculina vindo da sala. Meu Deus, eu não quero ter que ir naquela sala!

Um homem alto, moreno de olhos esverdeados, olhos iguais aos meus, vestindo terno e gravata, mexendo em um smartphone está sentado na poltrona da sala. Minha tia oferece café ao sujeito. Ele puxa assunto. Sento no sofá, em frente à ele, ao lado da minha tia:
—  Então Felipe, não vai cumprimentar seu pai? -Sua voz era idêntica a minha.
—  Oi. —  Digo entredentes.
—  E a escola? Como vai as notas? —  Ele realmente não sabia puxar assunto.
—  Bem.
—  Ah! E a namorada? Você tem namorada né?!
—  Não.
—  E futebol? Qual o seu time favorito?
—  Desculpe senhor, eu não gosto de futebol.  Fala sério! Que sem-noção. Não estava parecendo conversa de pai e filho, mas, de dois estranhos que se encontram em uma parada de ônibus.

Minha tia me cutuca para eu puxar assunto com meu pai. Vendo que eu não abro a boca, ela começa a tagarelar assuntos aleatórios.

Não me sinto nenhum pouco a vontade em conversar com meu "pai". Eu nunca nem tinha o visto antes. Depois de uns dez minutos, peço permissão para me retirar. Não consigo dividir o mesmo ar com ele. Não podia acreditar no quanto eu parecia com ele fisicamente. A única diferença era na cor dos cabelos. Os cabelos dele eram castanhos. Fecho a porta do meu quarto. Deito na minha cama. Porquê esse cara não dá logo o fora e finge que eu não existo! Não foi isso que ele fez durante esses dezoito anos? Alguns instantes depois, minha tia entra no quarto, muito chateada:

—  Que coisa feia Felipe! Você nem conversou com seu pai direito! O que ele vai pensar?
—  O que queria que eu dissesse? ''Oi, meu nome é Felipe. Prazer. Lembra de mim? Sou o filho que você abandonou. Tudo bem?'' Me poupe tia... Se ao menos a Clara estivesse aqui...
—  O que a Clara tem haver com isso, Felipe?
—  Nada.
—  Agora você vai falar! O que a Clara tem haver com isso?

Não poderia esconder esses sentimentos para sempre. E a minha tia já estava desconfiando.
—  Tia, ela é só uma amiga! Eu gosto muito dela. Como amigo...
—  Ahã! Sei! Olha Felipe, eu gosto muito da Clara também. E naquele dia que você a trouxe aqui em casa, eu pensei que era sua namorada. E eu ficaria feliz se ela fosse. Tô orando para que vocês fiquem juntos!
—  TIA! Não diga bobagem!
—  Bobagem? Quando você perder a chance com ela aí sim, você vai ver o que é bobagem!

E se a minha tia estivesse certa? Será se estou perdendo as chances em dizer logo o que sinto? Como se a Clara, a filha do pastor, fosse amar um zé-ninguém como eu! E cá entre nós, existem caras melhores do que eu.
—  Já ia me esquecendo. O seu pai pediu para te dá isso.

Ela me entrega uma sacola com uma caixinha de papelão dentro. Era um celular, desses de última geração, galaxy alguma coisa, sou péssimo em gravar modelos de celular:
—  Pelo menos, ganhei alguma coisa dessa vez hein?! —  Digo com sarcasmo.
—  Da última vez em que ele te ligou, você disse que não tinha celular. Aí ele resolveu comprar um.
—  Não precisava me dá nada. Eu trabalho é para isso! —  Coloco o celular em cima do travesseiro.
—  Felipe pare de ser tão orgulhoso! Que coração de pedra!
—  Eu? Coração de pedra? Chega! Vou dá uma saída!
—  Vai onde rapaz?
—  Andar por aí! A presença do meu pai, deixou esse ambiente insuportável!

Abro a porta e saio. Cubro minha cabeça com o capuz da jaqueta. O dia de hoje não estava sendo legal. Ai, Clara. Se ao menos eu visse seu rosto... Tenho tanto medo de te perder. Meu coração dói quando estou longe de ti... Eu te amo Clara. Eu te amo. Porquê essas palavras não saem da minha boca quando estou perto de você? Que raiva!

Avisto uma coisa no beco. Era um gatinho preto com a patinha machucada. Muito magrinho e maltratado:
—  Calma amiguinho. Vai ficar tudo bem... Vou cuidar de você.

Tiro minha jaqueta e protejo o gatinho com ela. Levo ele para casa. Vou cuidar dele. Assim como eu, aquele gatinho foi abandonado, esquecido por muitos. Ninguém levava em consideração sua existência. Porém, eu vou dar um lar para ele.  Caminho para casa.

Clara, aonde você está?

*CLARA*


Impressão minha ou o dia hoje está mais bonito?

Ah, é mesmo! Finalmente já tenho 16 anos! Ainda não dá para tirar carteira de motorista, mas, já é um passo. Hoje, prometi ao Felipe que iria para a casa dele. O pai dele vai o visitar. Meu Deus, por favor, que ocorra tudo bem. Quero tanto que Felipe abandone essa raiva que ele tem do pai. Eu sei que o que seu pai fez foi errado, mas, devemos perdoar, por mais doloroso que isso seja.

Ai, só de lembrar que dancei valsa com ele ontem! Ahhhh! Parecia um sonho! Pena que aquele momento não voltará nunca mais.

Escovo os meus dentes. Penteio meus cabelos. Vou vestir um vestido branco estampado com borboletas. Desço as escadas. Tomo meu café. Minha família e eu, vamos para a EBD. Mamãe está radiante naquele vestido azul com margaridas. Entro no carro. Papai puxa assunto comigo:
—  Então filha, gostou da sua festa de aniversário?
—  Ah, papai, eu amei! Foi simples, mas linda. Amei o vestido também mamãe.
—  E aquele rapaz? o Felipe? Não achei que ele viesse?
—  Também não.
—  Ele valsou muito bem com você. Admito que fiquei um pouco enciumado.
—  Que isso papai? Ele é só um amigo. —  Ah pai, se o senhor soubesse...
—  Júlia, pelo amor de Deus, larga esse celular. —  Dizia papai rigidamente para ela.
—  Tá bom. Não precisa brigar. Affs!
—  Bom, (pigarro) fiquei feliz em vez o Nelson ontem. E como ele cresceu. Meu Deus. Espero vez ele mais vezes. —  Falava meu pai com alegria. Pois eu não! O Nelson era muito chato!!! Ele estragou o meu papo ontem com Felipe.

Chegamos na igreja. Que estranho! Felipe não está aqui. Será que aconteceu alguma coisa? Mila corre em minha direção desesperada. O que aconteceu Senhor?
— Clara! Aconteceu uma coisa grave com a Fany!
—  O que foi que aconteceu com ela?
—  Ela sofreu um acidente, quer dizer um motorista bêbado atropelou ela! Ai meu Deus! Eu não sei como ela tá! A Priscila acabou de me enviar uma mensagem! Ai, me ajuda amiga tô desesperada! —  Mila estava se tremendo. Seus olhos cor de mel estavam marejados.
—  Calma Mila. Vou pedir para meu pai levar a gente no hospital aonde ela está. Pergunta para a Priscila qual é o endereço.
—  Tá bom. Vou ligar agora para ela!

Me perdoe Felipe. Não vou poder está com você. Por favor não me odeie!

Papai dá carona para mim e para Mila. Ela está nervosa e está chorando muito. Seguro a mão.
—  Calma Mila. Tenho certeza de que Deus está com Fany!

Ela assente com a cabeça. Também estou nervosa. Por favor Deus, que a Fany esteja bem!

Papai estaciona o carro a poucos metros do hospital. Entro e Mila se informa na recepção.  Ninguém do hospital, nenhum enfermeiro, nem mesmo a recepcionista sabia em qual quarto se encontrava Fany. Mila e eu nos separamos para encontrá-la com mais facilidade. Pego o caminho da esquerda e Mila o da direita.

Depois de muito andar e bater na porta de cada quarto procurando Fany, avisto uma pessoa. Uma senhora idosa morena, de cabelos grisalhos, portando uma bengala, está sentada do lado de fora do quarto:
—  Essa menina só me dá desgosto! Maldita hora em que os pais dela morreram!
—  Com licença! Uma menina com aproximadamente a mesma idade que a minha, mais ou menos do meu tamanho e de pele morena, se encontra nesse quarto?
—  Tem uma menina de 15 anos nesse quarto sim. E quem quer saber?
—  Ufa! Deve ser ela... Sou uma amiga de escola dela.
—  Tenho um azar danado! Aquela peste não serve nem para morrer!
—  Senhora, como pode falar coisas tão horríveis!
—  É fácil me julgar! Não é você que a cria desde bebê! Maldita hora que meu filho casou com aquela mulherzinha! Ela só o levou para o túmulo! E ainda me deixou com essa coisa que chamo de neta!
—  Meu Deus, como a senhora pode ser tão amarga assim? Devia estar feliz por ela estar com vida!
—  Pois eu queria, é que ela estivesse morta e enterrada! Você é crente não é?! Deu para perceber o seu jeito! Me dê licença! Tenho mais o que fazer! Vou para minha casa!

Ela vira as costas e vai embora se apoiando na bengala. Nossa! Que mulher mais sem coração! Meu Deus do Céu! Se ela for mesmo a avó da Fany, então, coitada da menina. Bato na porta. Uma voz lá dentro diz para entrar. Finalmente encontrei Fany. Priscila estava lá, sentada em uma cadeira branca ao lado da cama. Envio uma mensagem pelo celular para Mila com o número do quarto. Quarto 101. Fany estava com a perna direita quebrada em três lugares, segundo o raio-x. Um enorme gesso cobria a perna. A cabeça e o braço esquerdo enfaixados. Algumas escoriações pelo rosto. Os olhos estavam vermelhos e inchados, provavelmente por ter chorado:

—  Fany tudo bem com você? - Pergunto
—  Mais ou menos. O que importa é que estou viva, né?!
—  Aquela senhora na porta era sua avó? —  Pergunto com um pouco de vergonha
—  Infelizmente sim! Ela é a minha tutora responsável para cuidar de mim. Meus pais morreram quando eu era bem pequena. Ela odiava minha mãe. Sempre dizia que foi ela a culpada por meu pai ter morrido. E ela me odeia por isso e eu... Ahhhh! Ela veio aqui só pra me perguntar porque eu não morri no acidente! Já jurei que quando fizer 18 anos vou embora daquele inferno que chamo de casa! Minha cabeça dói tanto...
—  Descanse, Fany. Não vale a pena ficar com raiva dela agora. O importante é suas amigas estão aqui! —  Falei motivando-a.

Mila aparece correndo com lágrimas pela face e abraça Fany, que se contrai devido as dores. Uma enfermeira aparece e pede para fazermos silêncio. Assim que a enfermeira sai, Mila mostra a língua. Fany parece esta emocionada:

Te machuquei Fany? - Pergunta Mila
—  Não, não é que vocês são tão gentis e... São tão unidas... Acabei de conhecer vocês e já me tratam como se fossemos "velhas amigas"... Isso me deixa tão... Eu não sei explicar... Eu não sei o que estou sentindo...
—  A gente valoriza os amigos Fany! E a gente já te considera de casa! —  Explicava Mila
—  Eu quero mudar! Eu quero ser como vocês! Vocês três tem um brilho, é tão lindo! Eu tenho certeza que foi Deus quem me livrou da morte hoje. Eu quero mudar... Eu quero aceitar Jesus na minha vida!

Lágrimas caiam pelo rosto de Fany. Lágrimas de alegria. Ela estava sendo sincera. Ela queria aceitar a Jesus como Salvador de sua vida. Admito que fiquei muito emocionada também. Viro para o lado e vejo Priscila e Mila com lágrimas nos olhos.

— O que podemos fazer? —  Pergunta Priscila
—  Só Deus pode te ajudar Fany! Vamos orar por você! Meninas, vamos dá as mãos.
—  Clara, sua fé é tão linda. Eu quero que orem por mim! Eu quero acreditar em Deus.
—  Vamos te ajudar Fany! Amigas são pra essas coisas! —  Falo com um sorriso no rosto.
—  Só um lembrete meninas: Fany é o apelido que a Shirley me deu. Meu nome verdadeiro é Rosane.
—  Rosane... Vamos orar por você. —  Digo com um sorriso ainda maior no rosto.

Oramos por Rosane. Foi um momento de fé. Sentimos a presença de Deus ali naquele quarto de hospital. Depois da oração, conversamos bastante. Priscila, então, se lembra de algo importante:

—  Meninas... Sai de casa tão apressada... Hoje tenho que cuidar do meu irmãozinho... Minha mãe vai precisar sair para uma reunião urgente do clube... E meu pai vai demorar para chegar em casa, por conta da hora extra do trabalho... —  Falava Priscila calmamente. Incrível como ela conseguia ser tão calma.
—  Você tem um irmãozinho Pri? Qual o nome dele? —  Pergunta Mila
—  Ele se chama André e tem seis anos... Hoje vou ficar no hospital com a Fany, quer dizer, Rosane. Não se preocupem. Eu já avisei papai e mamãe, e graças a Deus, eles deixaram. —  Dizia a Pri
—  Priscila, eu vou ser a babá do seu irmãozinho! —  Falo com firmeza.

Felipe, por favor, me perdoe...

Continua...

PRÓXIMO CAPÍTULO

Gente é isso aí! Se gostou por favor, comenta! Vocês não fazem ideia do trabalho que deu para escrever e postar esse capítulo! Beijos!




6 comentários:

  1. Ooooooooooontw ^^
    Que love o Felipe !
    Amei !
    Nossa ele se acha tão zé ninguém assim ?
    Eu hein, nada a ver...
    Beijos, San !

    agarotaperfeita2.blogspot.com

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    1. Pois é Felipe é um garoto muito complicado, mal sabe ele que a Clara também o ama...
      Beijos Kelly ♡♥

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  2. ount foi fofo, Felipe é muito lost kkk tem que tirar essa raiva, vai prejudica lo espiritualmente,
    Ai que lindo quando a rosane aceitou Jesus. Lindo mesmo. Capitulo muito abençoado, que vc e sua irmã continuem se permitindo serem usadas pelo Senhor Jesus..
    Beijos.

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    1. Oi Larissa
      Que bom que gostou amada.
      Felipe guarda rancor demais nesse coraçãozinho ( ó_ò)
      Menina, esse foi um dos capitulos mais dificeis
      de postar. Principalmente a parte da conversão da Rosane.
      Mas graças a Deus e a minha irmã, conseguir postar \( ºoº )/
      Não perca a o capitulo 24 (vai demorar... já to até vendo)
      Deus te abençoe linda <3

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  3. Impressão minha ou essa avó da Rosane é um capeta? kkk
    Brincadeiras a parte amei o post viu?!
    Beijos

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    1. Ela é bem arrogante mesmo.
      Obrigada pela visita

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